- O que houve? Perguntei calmamente,
- Queremos sentir medo, estamos sem sono, e está tudo um tédio. A moça me respondeu. Sentir meus pensamentos congelarem, regredirem, e novamente comecei a processar novas informações perpendiculares aos anteriores.
- Medo? Quem gosta de sentir medo? Perguntei espantada com o pedido.
- Estamos sem sono, por favor, nos conte fatos verídicos que aconteceu nesta cidade, eu sei que sabes alguns, já me contou... Silêncio breve pousou em meus lábios, acontece que minha mente estava processando tamanha informação, meus olhos contornava as expressões dos dois, em milésimos estava eu tentando estudar aqueles dois seres humanos, não tardou trouxe a questão para uma generalização sem tamanha, claro que tudo dentro de minha mente - Humanos não gostam de sentir medo, pelo menos é o que escuto e leio sobre isso, sentir medo nos torna tão vulneráveis, por que em sã consciência eles querem temer a algo? Geralmente as pessoas querem sentir felicidade, alívio de algo, leveza dos problemas, mas medo é uma coisa idiota. Questionei-me, então os respondi - A inflação subiu! Na minha cabeça um comentário desse me causa medo, na deles foi uma reação totalmente diferente, reação de menosprezo, irritei-me, eu não iria contribuir para que eles sentissem medo. Pedi para me deixarem quieta queria continuar a minha leitura, e assim eles fizeram, mas não tardou, eu ainda continuava incomodada com aquela situação e eles, eles procuravam coisas sobre o que temer e eu realmente estava ficando chateada, com toda aquela situação, deste modo resolvi agir, levantei sorrateiramente e fui ao banheiro, peguei um pouco de papel e molhei, retornei, mas antes bati em algo, não me recordo o que, e eles sentiram medo, já imaginavam que algum espirito ou monstro estava fazendo aquilo - Mentes férteis! Mas cortei o clima informando que tinha ido ao banheiro, e logo o desanimo fizera presente nos rostos daqueles jovens. Aguardei alguns minutos e vi o alvo descoberto, joguei o papel e obtive o resultado esperado, gritos, horror e muito corre-corre por partes dos dois, mantive-me quieta observando tudo e eles no escuro começaram a criar várias "criaturas' para aquele papel, até que por fim eles os encontram e me olham com um olhar machucado, magoado, eu fiquei furiosa, queriam sentir o medo, e o medo foi o que lhes dei, concluir por aí, que não somos diferente nas escolhas que fazemos, queremos sempre uma coisa que não temos no momento, porém, quando obtemos notamos que não era tão interessante quanto parecia ser quando não tinha, e acabamos revoltados com a vida, ela apenas cumpriu o papel dela, dano-lhe o que queria, e agora é a culpada por que não se agrada mais do que quisera.
- Fernanda Vieira
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