23 de março de 2017

Tempestade

A insônia é algo comum quando se refere a mim, mas naquela noite ela não quis me abandonar nenhum um segundo se quer, quando notou que não suportava mais e precisava dormir, ela deu uma trégua, e por fim adormeci. 
Trec - Foi o som que ouvir, me tirando assim do reconfortável sono. A raiva me alertou que estava de volta a realidade. Notei que estava uma enorme tempestade ocorrendo fora do teto e logo me reconfortei na cama procurando uma posição agradável para que pudesse novamente retomar o sono, o qual não deveria ter deixado. 
Meus olhos encontraram uma fresta nas telhas e acompanhei cansadamente cada relâmpago e ouvir cada trovão, uns até me despertavam do cochilo breve que dará, fazendo assim retomar minha atenção na tempestade. Meia hora depois já havia decorado o momento do relâmpago e o do trovão, então a tempestade resolveu me pregar uma peça trocando, trovão e depois relâmpago - Praguejei. 
A briga entre a tempestade e eu estava formada, pensei por qual motivo não seguia mais a sequência que estava seguindo, e isso me incomodou deveras. O sono há muito não sabia o que era. Um barulho maior se estalou em meus ouvidos, seguido de um enorme trovão, pensei - Ela está revoltada comigo por lhe observar. Não me importava mais, queria saber qual motivo da troca, por que primeiro o trovão para depois ser o relâmpago?! 
Virei a noite toda, e não compreendi, estava disposta no outro dia saber o que tinha acontecido, por falta de tempo, deixei passar, mas terei outra oportunidade de observa-lá novamente, e eu não me importo caso ela goste ou não!  

4 de março de 2017

O medo

Queria apenas ler, não estava me importando com o barulho que os outros dois indivíduos produziam perto de mim, a história era cativante e eu adquiri certo carinho por "Luíza" (personagem do livro), pensava várias coisas ao mesmo tempo até tomar nota que não escutará meu nome sendo proferido na sala, uma, duas, três vezes me chamaram, os olhei, reprovação é o que preenchia aqueles olhares, um castanhos escuros - como os meus, outros castanhos claros 
- O que houve? Perguntei calmamente, 
- Queremos sentir medo, estamos sem sono, e está tudo um tédio. A moça me respondeu. Sentir meus pensamentos congelarem, regredirem, e novamente comecei a processar novas informações perpendiculares aos anteriores. 
- Medo? Quem gosta de sentir medo? Perguntei espantada com o pedido. 
- Estamos sem sono, por favor, nos conte fatos verídicos que aconteceu nesta cidade, eu sei que sabes alguns, já me contou... Silêncio breve pousou em meus lábios, acontece que minha mente estava processando tamanha informação, meus olhos contornava as expressões dos dois, em milésimos estava eu tentando estudar aqueles dois seres humanos, não tardou trouxe a questão para uma generalização sem tamanha, claro que tudo dentro de minha mente - Humanos não gostam de sentir medo, pelo menos é o que escuto e leio sobre isso, sentir medo nos torna tão vulneráveis, por que em sã consciência eles querem temer a algo? Geralmente as pessoas querem sentir felicidade, alívio de algo, leveza dos problemas, mas medo é uma coisa idiota. Questionei-me, então os respondi - A inflação subiu! Na minha cabeça um comentário desse me causa medo, na deles foi uma reação totalmente diferente, reação de menosprezo, irritei-me, eu não iria contribuir para que eles sentissem medo. Pedi para me deixarem quieta queria continuar a minha leitura, e assim eles fizeram, mas não tardou, eu ainda continuava incomodada com aquela situação e eles, eles procuravam coisas sobre o que temer e eu realmente estava ficando chateada, com toda aquela situação, deste modo resolvi agir, levantei sorrateiramente e fui ao banheiro, peguei um pouco de papel e molhei, retornei, mas antes bati em algo, não me recordo o que, e eles sentiram medo, já imaginavam que algum espirito ou monstro estava fazendo aquilo - Mentes férteis! Mas cortei o clima informando que tinha ido ao banheiro, e logo o desanimo fizera presente nos rostos daqueles jovens. Aguardei alguns minutos e vi o alvo descoberto, joguei o papel e obtive o resultado esperado, gritos, horror e muito corre-corre por partes dos dois, mantive-me quieta observando tudo e eles no escuro começaram a criar várias "criaturas' para aquele papel, até que por fim eles os encontram e me olham com um olhar machucado, magoado, eu fiquei furiosa, queriam sentir o medo, e o medo foi o que lhes dei, concluir por aí, que não somos diferente nas escolhas que fazemos, queremos sempre uma coisa que não temos no momento, porém, quando obtemos notamos que não era tão interessante quanto parecia ser quando não tinha, e acabamos revoltados com a vida, ela apenas cumpriu o papel dela, dano-lhe o que queria, e agora é a culpada por que não se agrada mais do que quisera. 
- Fernanda Vieira