21 de fevereiro de 2017

No ritmo dos séculos (1º Cap)


Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa” ­– Lispector. A voz suave da jovem bela que tentava desvendar os pensamentos de Clarice ecoava pela sala – o que faz criança? Entre salto, notou-se a presença daquela criatura que a transmitia paz.

12 de fevereiro de 2017

Verdadeira simetria

Dar-se um tempo em sua vida que tudo passa ter formas, tamanhos e cumprimentos, você começa a entender as coisas com uma clareza inefável e associar tudo a seu pequeno mundo. A relatividade pode ser confusa se distorcida por muitos, mas, posta em prática se torna algo mais óbvio do que a própria realidade, o fato de alguém se dar bem em determinado tempo com determinada idade e você não, também vira palco de perguntas, porém, em algum ponto essas perguntas se tocam e obtém as respostas, da mesma forma que tudo é simétrico e nada se torna por acaso. 
O número de pessoas em nossa vida não é limitado, mas o tempo que elas permanecem é! Precisa de um espaço para que outras entre e possa te mostrar novas formas geométricas, o problema é que você ainda é tão acostumado a seguir uma mesma formula, que ao ver uma nova formula de se calcular seu dia se torna complexo e intrigante. E após o novo hábito da nova pessoa, entra em conformidade e se dar um tremendo colapso quando ela precisar ir para outra ocupar seu lugar. 
As amizades são totalmente transformadas, "nada se perde tudo se transforma" e assim também vem várias outras questões postas em um barzinho qualquer. O problema meio notório é que as pessoas são acomodadas as outras, e o fato de "pertencer" se torna um fardo e assim faz com que outros levem a desistir e passar o peso ao próximo da fila. 
A vida amorosa também é explicável e simétrica, levando em conta o contexto e a diversidade, somando com os pensamentos contemporâneos, não é de se espantar com tamanha troca, troca de casais, e de "amor", pode ser entendido de múltiplas formas, o desejo de provar de tudo um pouco, a experiência transmitida de cada um, a mídia e até mesmo a própria rebeldia! Outros, uma parte totalmente pequena de 100%, são afetados psicologicamente, assim, agindo de forma egoísta o que pode se tornar uma bomba nas mãos de outras pessoas, e criar mais formas em mundos equilibrados de outros, isso não quer dizer que seja uma coisa má, só é desproporcional ao presente, porém, fruto do mesmo. 
Vida financeira também entra na dança, temos diversas formas, cada qual diferente para alguns grupos de pessoas, uns que tem o suficiente, mas não podem usufruir, outros que tem mais e precisam de mais, talvez por alguma síndrome de números, mas prefiro tratar isso como sovinice. Outros com pouco, e focados em ter um pouco mais, e outros com bem menos, focados em viver com aquilo, e deixar totalmente a soma de um quadrado perfeito.
Vida por fases, ou simplesmente por idades, também entra na jogada, quem nunca foi uma metamorfose ambulante atire a primeira pedra?! Cada qual de uma forma diferente, com uma base semelhante, o desfecho vem se dando pelos choques causado pela grande e apessoada realidade, em um dia o mundo se torna totalmente um cubo, em outro já tem um retângulo e assim por diante, cada qual representando formas de falar, agir, se portar, pensar, conceituar, e até mesmo de viver diferente, aquelas transformações malucas ao longo do tempo ganha-se nomes, primeiro vem: É somente uma fase, posterior: Completa rebeldia! Adjacente: Isso é apenas um Hobby que veio coma idade! E lá por final já estão todos fadados a pensar assim e atribuí a velha e bela terceira idade: Caduquice!    
Fernanda Vieira 

5 de fevereiro de 2017

Eu amo seu interior

As vezes me pego pensando em infinitas possibilidades de ter tornado aquela conversa diferente, o meu medo já me consumia e eu agia irracionalmente o que é da natureza humana. Mas pensando como deveria agir em várias dessas vezes, eu cheguei a mais uma conclusão - Eu amava aquela menina que conheci! Não esse ser multado em aberração que, que respira, tem órgãos, tem uma racionalidade e é bestificada, abobada a maior parte do tempo, moldada pelos parâmetros da sociedade, presa a dogmas religiosos, e além do mais, presa no conceito de família tradicional. 
Não, eu não a amo assim, eu a amo da forma mais pura que ela já existiu, eu amo a amo, cuja estava fora de quaisquer padrões, ou pensamentos alheios, eu amo aquela que a felicidade importava, eu amo, aquela que era racional com si mesma. Eu amo a quela pequena pessoa que era gigante por dentro, que pensava sempre no lado positivo da vida, que acima de tudo nunca se deixava abater pelo que a sociedade ditava, eu amo a aquela, que era doce, serena, que era adulta mesmo sendo criança, eu amava livre de qualquer barreira, e todas as barreiras posta sobre nós, ela me ajudou a quebrar, e o tempo e distância, ela me ajudou a superá-los. 
Aquela menina que eu amo, ela não agrada a família em pró de sua infelicidade, ela senta e debate - Eu sou assim, vocês vão me aceitar ou pelo menos me respeitar! Eu amo aquela que diante do maior holocausto do mundo pegaria na minha mão e ditava - Segue, vai, somos obrigadas a sobreviver, e é isso que iremos fazer! Eu amo aquela que me amava também, aquela voz dengosa ao celular na hora de dormir, que pedia mimo para melhorar a noite, ou só pra sentir meu sorriso bobo ao telefone, que roubava os celulares dos pais para dizer pelo menos: Boa noite moreco, eu te amo, não podemos nos falar muito, mãe pegou meu celular, amanhã a gente conversa, te amo muito! Eu amo essa menina. 
Talvez o tempo tenha a matado, a sociedade tenha moldado nessa coisa patética que vejo todos os intervalos na escola, essa coisa repulsiva, moldada a escamas e armaduras, guardando a minha amada na maior prisão, que é seu interior. Não sei se um dia irei vê-lá novamente, ou se o que eu já vi se foi e não existe mais, isso tudo só com o passar do tempo que poderá ser respondido, por enquanto eu continuo a detestando e amando.