21 de fevereiro de 2017

No ritmo dos séculos (1º Cap)


Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa” ­– Lispector. A voz suave da jovem bela que tentava desvendar os pensamentos de Clarice ecoava pela sala – o que faz criança? Entre salto, notou-se a presença daquela criatura que a transmitia paz.


- Estava estudando... O professor passou algumas coisas, dentre elas tem esse texto “pertencer” de Lispector, conhece?
- A claro minha querida, é uns dos meus favoritos... Disse sentando-se em uma cadeira próxima, sua coluna já não era a mesma há tempos.
- Então me fala vó, o que você entende nesse “pertencer” dela... A mais jovem aguardava uma resposta breve, mas notou aqueles brilhos surgindo nos olhos de sua adorável vó, esse era o sinal, uma história estava a caminho... – Me fala qual será a história de hoje?
- Talvez o pertencer dela seja o mesmo pertencer que essa historia que irei lhe contar retrata... Disse ela pensativa.
- Então conta...
- Espera! Onde está sua outra vó?
- Ela saiu com a mamãe, foi comprar alguns presentes de Natal, sem dúvidas irão demorar, então você tem todo o tempo do mundo... A menina não contia mais sua curiosidade, sua vó contava-lhe grandes historias, desde da criação da terra e suas teorias, até as mais recentes do nosso cotidiano.
- Tudo bem, essa historia, está implícita esse pertencer que Lispector fala em seu texto, se passava no século VIII. Era uma tarde fria quando os gritos daquela jovem mulher estrondavam naquele pequeno vilarejo – Há sim ela nasceu! Os olhos dos pais da pequena Jully a admiravam pela primeira vez – Que os Deus a abençoe, tão graciosa, puxastes a quem pequena flor do campo?! O pai babão, assim posso classificar, enchia de mimos a pequena... A poucos metros da li, a pequena Alex olhava as gotículas de água tocarem o chão, fazendo pequenas depressões – O que está a fazer criança? Pergunta sua mãe um pouco impaciente com a quietude da menina – O dia me amedronta mamãe... A pequena a encarou, a mais veja ficou sem compreender, afinal naquela região era constante chuvas.
- Onde ela morava vó?  Perguntou a neta franzindo o cenho...
- Bom, moravam em algum ponto Inglaterra, em campos, não sei como se chama atualmente. Ou melhor, sei sim... Durham... A neta sobressaltou.
- É aqui vó? A suave velhinha sorriu com os olhos e afirmou positivamente com a cabeça – Bom, é mais interessante ainda, continua por favor vozinha.
- Como eu ia dizendo, eles era camponeses afastaram-se das cidades as “urbes” pois o rei do momento era bastante ganancioso, seu exercito era má, pegava as donzelas mais bonitas e fazia o que bem entendia com elas, saqueava os pobres coitados que trabalhavam apenas para sobreviver, aquele tempo de dividir tudo havia se ido, o momento agora era trabalhar para você e sua família e o pai da Alex, achou que mudando-se para o campo a vida poderia ser tolerada a medida do possível, até que por tempos foi, o rei resolveu expandir seu império e desejava as terras dos pobres camponeses, assim vários conflitos foram travados na época, inclusive aquele que tiraria a vida da família da pequena Alex – Por que deves partires? Posso ir com vocês? A pequena Alex queria poder ajudar de algum modo seus pais, porém, eles alegavam que estavam indo a uma reunião que o rei desejava fazer acordos sobre as terras onde os mesmos moravam, assim a pequena ficou junto com outras crianças que viu seus pais partirem pela última vez. Já havia passado 8 anos após o nascimento da pequena Jully, quando esse fato ocorreu, porém, seus pais mantinha-se reclusos, não confiavam no rei e em nenhum de seus cavaleiros, deste modo, o pai da pequena Jully não partiu e ficou com a família – Meu pai, posso brincar com as demais crianças? O homem erra carrasco, a amava e qualquer ciosa que pudesse ameaçar a vida da pequenina era uma explosão de sentimentos no homem – Pode! Mas com cuidado, tas me ouvindo? Quando o sol pensar em ires, retornais, me entendes? – Sim meu pai, eu retorno, eu prometo! Então a pequena Jully correu para a beira de um rio que cortava a pequena região, várias crianças brincavam, então aqueles olhos azuis a penetrou fazendo aquela cor a sua favorita. Jully não tinha grande intimidade com as crianças dali, quase não sairá de casa, vivia meia reclusa devidos os cuidados extremos dos pais, e ela encontrou algumas garotinhas de sua idade com quem começou uma brincadeira de roda e cantiga, Alex a observou, já tinha visto a pequena algumas vezes, achava que ela era doente, pois não costumava brincar como as outras crianças, seus olhos verdes a cativaram, mantendo assim sua atenção por longas horas. Ao final da tarde Jully retornava, ela notou que aquele mar azul a observava, e deu um pequeno aceno, que foi retribuído apenas com uma expressão de surpresa por parte de Alex, depois saiu correndo e rindo como criança travessa. Alex retornou para casa, seu irmão tinha partido com seus pais, era quatro anos mais velho do que ela, por isso os pais permitia que ele ficasse por dentro dos assuntos da família, era homem, deveria se preparar para ser responsável pelas terras. As famílias em geral, não gostavam de suas meninas misturadas com a garota Alex, ela vestia as roupas de seu irmão, as teorias eram constantes, uns afirmavam que seus pais não tinham condições de ter uma roupa descente, e outros falavam que era promessas feita a deus, mas de fato a pequena Alex sabia que era diferente, aqueles vestidos, aqueles panos não a deixava confortável, e sim as roupas de seu irmão.
O dia havido apresentado-se, os pássaros cantarolavam sem parar, Alex correu para fora, sentou-se perto ao poço da casa, e ficou olhando para a estrada, era o dia do retorno de seus pais e seu irmão, a ansiedade batia forte, após longas horas de espera, aponta algumas pessoas na estrada, ela logo se pós de pé, o seu irmão era visível, o que não era visto era a presença de seus pais, outros camponeses vinham um pouco atrás, uns com manchas horrendas de sangues, outros como o pai da pequena Jully vinham apenas com expressões cansadas e tristes. Quando se aproximaram ela viu alguns animais enormes puxando o que parecia ser uma carroça...
- Calma vó, estou com fome, eu vou pegar algo para comer, é rapidinho. A garota levantou, e logo retornou – há, quase ia me esquecendo, a senhora deseja algo? Perguntou meia sem jeito pela falta de educação.
- Sim querida, um copo com água, por favor.
- Está certo! Assim a jovem fez, logo retornou com alguns petiscos para si, e um copo com água para a mais velha. – Continua vozinha.
- Onde estava, deixa eu ver... Pensou um pouco a velhinha.
- A carroça vó, ela acabará de ver a carroça...
- Há sim, é verdade. O seu irmão passou bruscamente enfiando-se dentro da pequena casa, o pai de Jully a tocou no ombro – Alex precisamos conversar. Ela que mantinha os olhos fixo na carroça, já imaginava e temia o rumo daquela conversa, então ele lhe falou sem mais delongas. – Os ventos do nortes não estiveram com eles, e foram presas do usurpador, caíram em uma emboscada! Não lhe disse mais nada, retornou a carroça e levando os animais para uma parte da casa ela continuou imóvel, o seu irmão parecia que havia perdido o que se chama de alma ou espirito, não falava, não comia, não chorava apenas estava congelado na dura realidade, na certa virá como se passou a morte de seus pais. A tarde já estava dando seus últimos raios, ela entrou onde os corpos de seus pais estavam sendo preparados pelos pai e mãe da pequena Jully, que a observaram a todo estante, ela se aproximou, fez ação de tocar o corpo do seu pai, depois o encarou, a paz que havia se instalado em seu rosto era incrível, sua cor pálida, anunciava que toda vida que havia naquele corpo já se fora há algum tempo – Não pode ter medo de mortos! Disse o pai da Jully – Não estou com medo... sussurrou Alex – Querida não precisa ficar aqui, cuidamos deles para você, não se preocupe – Eu não sei o que estou sentindo. Ela disse e após isso retirou-se da sala, deixando os pais da Jully intrigados. A noite foi triste, os sons produzidos pela grande mata que rodeava aqueles camponeses, já não fazia sentido algum para aqueles órfãos. O dia foi completamente fúnebre a neblina que Alex sentia medo, retornou e junto com ela um tio de segundo grau, a qual pertenceria. O enterro transcorreu suave, um padre falavam algumas coisas em latim, ela não entendia nada, não sabia falar nada a mais do que sua linguá habitual, e não sabia ler também, isso valia para seu irmão. Aos poucos as pessoas foram decepando-se, tinham prestado a homenagem devida aquele casal de camponeses até então bem queridos por muitos. Alex ficou imóvel vendo a terra cobrir completamente seus corpos, a lagrima pedia passagem, quando ela sentiu uma mãe quente tocando a sua, um choque instalou-se brevemente, procurou o causador daquilo e viu uma mão um pouco menor que a sua, pele branca, subiu o olhar até aquelas esmeraldas que lhe confortavam, era a pequena Jully, não trocaram um palavra mas aquele aperto de mão foi o suficiente para selar muitas coisas, principalmente a vontade de “pertencer’ de ambas.
- Elas ficaram juntas vó? Perguntou a neta mais curiosa do que o normal
- Ainda não cheguei a nenhuma conclusão pequena, elas ainda são crianças, como vou saber se elas ficaram juntas?  Pergunta a vó divertida.
- Ha vó, você sabe o final da historia, mas tudo bem, pode continuar contando. A menina novamente trocou de posição, fizerá isso no mínimo umas 10 vez desde que deu a ultima pausa.
- Tudo bem. Alex partiu no outro dia com seu tio e irmão para a cidade grande, iria ser submetida a aprender várias coisas, seu tio era uma pessoa da nobreza, reconhecido no reino, apesar do seu rei matar seu irmão, pouco importou-se com o assassino. Jully sentira falta constante daqueles olhos, que foi visto pela ultima vez, tão tristes, queria saber como ela estava, mas não havia como. E foi isso que aconteceu! A velhinha fez sinal de levantar
- Ha não, não, não vó, isso não pode ser a incrível historia que tinha para me contar, tem que ter mais, além do mais nem entendi o pertencer da Lispector ai... A jovem fez bico, a mais velha adorava aquela carinha, sabia que encantava a neta com suas historias, e como ela a obedecia e passavam grande tempo juntas apenas conversando... A mais velha riu.
- Não tem como te enganar mesmo né? Tudo bem, vou continuar. A mais velha arrumou-se, suas costas estavam indicando que sua idade estava a degradando pouco a pouco. – 12 anos se passaram agora aquelas poucas casas havia virado um pequeno vilarejo e estava sobre o comando do rei, havia guardas por todos os lados, os camponeses pagavam impostos a coroa, e o número de violência de todos os modos que você possa imaginar havia crescido. Em uma tarde de festa, Alexander regressa com sua irmã Alex, ambos montados em cavalos fortes e bem cuidados, despertou olhares de todos, eles adentraram no meio da multidão que aos poucos foram formando um circulo em volta deles. – Que ventos os trazem aqui estrangeiros? Pergunta um gorducho ruivo, forte por sinal – estrangeiros? Estou a me perguntar, ondes avistares estrangeiros? Só vejo filhos de uma terra retornando a ela. Disse-lhe Alexander. Alex que reconheceu o amigo Thomas, saiu detrás de Alexander – Proponho um desafio, que tal um pássaro em um vôo e apenas uma pedra? Disse Alex, atraindo olhares curiosos – Aceito! Disse-lhe Thomas – O que pensas que estas a fazer sua fedelha?  Pergunta Alexander raivoso pela interrupção da irmã que a mesma não lhe dar ouvidos. A competição começou, nenhum pássaro foi obtido pelo gordinho diferente de Alex que matou o maior do rebanho que fora tangido dos matos. – Que fizeres da vida homem? Perderá tempos alimentando sua fome? Tão grande e não consegues matar um pássaro, de que adiantas tamanha forma física?  Alex falava divertidamente ao gordinho que a encarava – Alex, o que estás fazendo? Perguntou o irmão sussurrando ao ouvido da irmã – Perdoe-me pela conduta de minha irmã, fora má disciplinada, ou é completamente pirada. Quis se desculpar o garoto ao outro, mas Thomas caiu em grande riso seguido por Alex, e selando aquele abraço – Quanto tempo se passou meu adorável amigo. Alex falou – Eu que diga Alex, tempo suficiente para aprender a pescar.  Ambos riram, para a estranheza do povo que não sabia distinguir o que eles eram afinal – Quem lembra dos Kings? Perguntou Thomas, várias mãos foram ao céu – Pois bem, vejam esses dois jovens, são os frutos vivos dos verdadeiros Kings que retornaram as suas origens... Ouvia-se gritos, os Kings se tornaram lendas, os irmãos órfãos era motivo de piedade perante todos – Há que Deus os protejas, que lhes derem toda graça. Ouvia se muitos comentários. O ritmo que as gaitas soavam e as pessoas rodavam cantarolando, foi neutralizado com aquele banho de olhos verdes. Alex se pegou olhando para uma bela jovem que a observava tinha um sorriso no rosto, era semelhante a um anjo, seu sorriso resplandecia aquela paz que há muito não sentirá, sua pele branca e suas curvas bem acentuadas era visíveis e isso chamou atenção de Alex. O jeito que Alex Kings se vestia continuou os mesmo para a época, ela não queria saber o que os costumes ditavam, queria se sentir bem, então botas, calças e camisetas e casacos de mangas longas era o fundamental para ela, o que fazia a distinção dela e de um homem era seus cabelos e seios que eram notórios femininos. – vós me dar a honra da dança? Ela perguntou aquela menina que um dia gravou-se em seus pensamentos. – Não é do nosso ver, duas meninas dançando senhorita... – Sério? Mas todos dançam juntos, poderia apenas ficar ao meu lado na roda? Alex falou com um sorriso vitorioso, a jovem Jully não resistiu aos encantos daqueles lindos olhos com um acrescento do sorriso. – Está bem senhorita. Então Jully deu a mão a Alex, e caminharam até a roda de dança, o dia estava lindo a festa dava-se continuidade, logo as pessoas pararam de observar Alex devido seus vestimentos e começaram a se comunicar com ela, afinal ela era mais agradável do que seu irmão. – Então Senhorita Alex, retornou para ficar? Vós vai dar continuidade as terras dos vossos pais? Perguntava o pai de Thomas. – Tenho em mente este pensamento senhor, tudo dependente do meu irmão, o que ele pretendes fazer por diante... – Compreendo senhorita, qualquer coisa que precisares, sabes onde me encontrares – Obrigado, o senhor é muito gentil. Ela sorriu em agradecimento ao mais velho, talvez aquele sorriso cativasse as pessoas. Seguiram viagem até as terras dos seus falecidos pais, a pequena casa encontrava-se em grande caos, não existira mais telhado algum, apenas aquelas paredes que permaneceram no decorrer dos anos, devido serem de pedras, suportaram muitas coisas – bom meu irmão, aqui estamos o que pretendes fazer adiante? Perguntava Alex desmontando-se do seu fiel amigo Argos, um cavalo no qual adotara quando partiu com seu tio – Pretendo me casar com a senhorita Jully... O irmão dela disse sem meias palavras, aquilo foi como uma espada cravada no coração de Alex, imaginou quaisquer coisa que o irmão pudesse fazer naquelas terras menos pedir a mão daquela que viveu em seus pensamentos até os dias atuais, e depois disso, estava novamente olhando aqueles olhos verdes, e sentia que poderia conseguir algo, mas isso, lhe tirou todas as chances possíveis, amava o irmão, jamais o decepcionaria de tal modo, mesmo sendo estranha ele foi o único que sempre apoio, mesmo sendo arisco, mas a amava daquele jeito. Então ela não podia fazer mais nada a não ser aceitar – Quando pretendes tomar sua mão em casamento? – logo após a conversa com vossos pais, e acertar o acordo! Alex ficou confusa, que acordo seria aquele – De que acordo falas? – Não te metes em assuntos de gente grande, por favor menina. O irmão foi para a copa da arvore que ficava próximo a casa, dormiriam ali, no dia seguinte é a que arrumaria a casa.




Nenhum comentário:

Postar um comentário