“Pertencer
não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte.
Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força -
eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa
ou uma coisa” – Lispector. A voz suave da jovem bela que tentava desvendar
os pensamentos de Clarice ecoava pela sala – o que faz criança? Entre salto,
notou-se a presença daquela criatura que a transmitia paz.
- Estava estudando... O professor passou
algumas coisas, dentre elas tem esse texto “pertencer” de Lispector, conhece?
- A claro minha querida, é uns dos meus
favoritos... Disse sentando-se em uma cadeira próxima, sua coluna já não era a
mesma há tempos.
- Então me fala vó, o que você entende
nesse “pertencer” dela... A mais jovem aguardava uma resposta breve, mas notou
aqueles brilhos surgindo nos olhos de sua adorável vó, esse era o sinal, uma
história estava a caminho... – Me fala qual será a história de hoje?
- Talvez o pertencer dela seja o mesmo
pertencer que essa historia que irei lhe contar retrata... Disse ela pensativa.
- Então conta...
- Espera! Onde está sua outra vó?
- Ela saiu com a mamãe, foi comprar
alguns presentes de Natal, sem dúvidas irão demorar, então você tem todo o
tempo do mundo... A menina não contia mais sua curiosidade, sua vó contava-lhe
grandes historias, desde da criação da terra e suas teorias, até as mais
recentes do nosso cotidiano.
- Tudo bem, essa historia, está
implícita esse pertencer que Lispector fala em seu texto, se passava no século
VIII. Era uma tarde fria quando os gritos daquela jovem mulher estrondavam
naquele pequeno vilarejo – Há sim ela nasceu! Os olhos dos pais da pequena
Jully a admiravam pela primeira vez – Que os Deus a abençoe, tão graciosa,
puxastes a quem pequena flor do campo?! O pai babão, assim posso classificar,
enchia de mimos a pequena... A poucos metros da li, a pequena Alex olhava as
gotículas de água tocarem o chão, fazendo pequenas depressões – O que está a
fazer criança? Pergunta sua mãe um pouco impaciente com a quietude da menina –
O dia me amedronta mamãe... A pequena a encarou, a mais veja ficou sem
compreender, afinal naquela região era constante chuvas.
- Onde ela morava vó? Perguntou
a neta franzindo o cenho...
- Bom, moravam em algum ponto
Inglaterra, em campos, não sei como se chama atualmente. Ou melhor, sei sim...
Durham... A neta sobressaltou.
- É aqui vó? A suave velhinha sorriu com
os olhos e afirmou positivamente com a cabeça – Bom, é mais interessante ainda,
continua por favor vozinha.
- Como eu ia dizendo, eles era
camponeses afastaram-se das cidades as “urbes” pois o rei do momento era
bastante ganancioso, seu exercito era má, pegava as donzelas mais bonitas e
fazia o que bem entendia com elas, saqueava os pobres coitados que trabalhavam
apenas para sobreviver, aquele tempo de dividir tudo havia se ido, o momento
agora era trabalhar para você e sua família e o pai da Alex, achou que
mudando-se para o campo a vida poderia ser tolerada a medida do possível, até
que por tempos foi, o rei resolveu expandir seu império e desejava as terras
dos pobres camponeses, assim vários conflitos foram travados na época,
inclusive aquele que tiraria a vida da família da pequena Alex – Por que deves
partires? Posso ir com vocês? A pequena Alex queria poder ajudar de algum modo
seus pais, porém, eles alegavam que estavam indo a uma reunião que o rei
desejava fazer acordos sobre as terras onde os mesmos moravam, assim a pequena
ficou junto com outras crianças que viu seus pais partirem pela última vez. Já
havia passado 8 anos após o nascimento da pequena Jully, quando esse fato
ocorreu, porém, seus pais mantinha-se reclusos, não confiavam no rei e em
nenhum de seus cavaleiros, deste modo, o pai da pequena Jully não partiu e
ficou com a família – Meu pai, posso brincar com as demais crianças? O homem
erra carrasco, a amava e qualquer ciosa que pudesse ameaçar a vida da pequenina
era uma explosão de sentimentos no homem – Pode! Mas com cuidado, tas me
ouvindo? Quando o sol pensar em ires, retornais, me entendes? – Sim meu pai, eu
retorno, eu prometo! Então a pequena Jully correu para a beira de um rio que
cortava a pequena região, várias crianças brincavam, então aqueles olhos azuis
a penetrou fazendo aquela cor a sua favorita. Jully não tinha grande intimidade
com as crianças dali, quase não sairá de casa, vivia meia reclusa devidos os
cuidados extremos dos pais, e ela encontrou algumas garotinhas de sua idade com
quem começou uma brincadeira de roda e cantiga, Alex a observou, já tinha visto
a pequena algumas vezes, achava que ela era doente, pois não costumava brincar
como as outras crianças, seus olhos verdes a cativaram, mantendo assim sua
atenção por longas horas. Ao final da tarde Jully retornava, ela notou que
aquele mar azul a observava, e deu um pequeno aceno, que foi retribuído apenas
com uma expressão de surpresa por parte de Alex, depois saiu correndo e rindo
como criança travessa. Alex retornou para casa, seu irmão tinha partido com
seus pais, era quatro anos mais velho do que ela, por isso os pais permitia que
ele ficasse por dentro dos assuntos da família, era homem, deveria se preparar
para ser responsável pelas terras. As famílias em geral, não gostavam de suas
meninas misturadas com a garota Alex, ela vestia as roupas de seu irmão, as
teorias eram constantes, uns afirmavam que seus pais não tinham condições de
ter uma roupa descente, e outros falavam que era promessas feita a deus, mas de
fato a pequena Alex sabia que era diferente, aqueles vestidos, aqueles panos
não a deixava confortável, e sim as roupas de seu irmão.
O dia havido apresentado-se, os pássaros
cantarolavam sem parar, Alex correu para fora, sentou-se perto ao poço da casa,
e ficou olhando para a estrada, era o dia do retorno de seus pais e seu irmão,
a ansiedade batia forte, após longas horas de espera, aponta algumas pessoas na
estrada, ela logo se pós de pé, o seu irmão era visível, o que não era visto
era a presença de seus pais, outros camponeses vinham um pouco atrás, uns com
manchas horrendas de sangues, outros como o pai da pequena Jully vinham apenas
com expressões cansadas e tristes. Quando se aproximaram ela viu alguns animais
enormes puxando o que parecia ser uma carroça...
- Calma vó, estou com fome, eu vou pegar
algo para comer, é rapidinho. A garota levantou, e logo retornou – há, quase ia
me esquecendo, a senhora deseja algo? Perguntou meia sem jeito pela falta de
educação.
- Sim querida, um copo com água, por
favor.
- Está certo! Assim a jovem fez, logo
retornou com alguns petiscos para si, e um copo com água para a mais velha. –
Continua vozinha.
- Onde estava, deixa eu ver... Pensou um
pouco a velhinha.
- A carroça vó, ela acabará de ver a
carroça...
- Há sim, é verdade. O seu irmão passou
bruscamente enfiando-se dentro da pequena casa, o pai de Jully a tocou no ombro
– Alex precisamos conversar. Ela que mantinha os olhos fixo na carroça, já
imaginava e temia o rumo daquela conversa, então ele lhe falou sem mais
delongas. – Os ventos do nortes não estiveram com eles, e foram presas do
usurpador, caíram em uma emboscada! Não lhe disse mais nada, retornou a carroça
e levando os animais para uma parte da casa ela continuou imóvel, o seu irmão
parecia que havia perdido o que se chama de alma ou espirito, não falava, não
comia, não chorava apenas estava congelado na dura realidade, na certa virá
como se passou a morte de seus pais. A tarde já estava dando seus últimos
raios, ela entrou onde os corpos de seus pais estavam sendo preparados pelos
pai e mãe da pequena Jully, que a observaram a todo estante, ela se aproximou,
fez ação de tocar o corpo do seu pai, depois o encarou, a paz que havia se
instalado em seu rosto era incrível, sua cor pálida, anunciava que toda vida
que havia naquele corpo já se fora há algum tempo – Não pode ter medo de
mortos! Disse o pai da Jully – Não estou com medo... sussurrou Alex – Querida
não precisa ficar aqui, cuidamos deles para você, não se preocupe – Eu não sei
o que estou sentindo. Ela disse e após isso retirou-se da sala, deixando os
pais da Jully intrigados. A noite foi triste, os sons produzidos pela grande
mata que rodeava aqueles camponeses, já não fazia sentido algum para aqueles
órfãos. O dia foi completamente fúnebre a neblina que Alex sentia medo,
retornou e junto com ela um tio de segundo grau, a qual pertenceria. O enterro
transcorreu suave, um padre falavam algumas coisas em latim, ela não entendia
nada, não sabia falar nada a mais do que sua linguá habitual, e não sabia ler
também, isso valia para seu irmão. Aos poucos as pessoas foram decepando-se,
tinham prestado a homenagem devida aquele casal de camponeses até então bem
queridos por muitos. Alex ficou imóvel vendo a terra cobrir completamente seus
corpos, a lagrima pedia passagem, quando ela sentiu uma mãe quente tocando a
sua, um choque instalou-se brevemente, procurou o causador daquilo e viu uma
mão um pouco menor que a sua, pele branca, subiu o olhar até aquelas esmeraldas
que lhe confortavam, era a pequena Jully, não trocaram um palavra mas aquele
aperto de mão foi o suficiente para selar muitas coisas, principalmente a vontade
de “pertencer’ de ambas.
- Elas ficaram juntas vó? Perguntou a
neta mais curiosa do que o normal
- Ainda não cheguei a nenhuma conclusão
pequena, elas ainda são crianças, como vou saber se elas ficaram juntas? Pergunta
a vó divertida.
- Ha vó, você sabe o final da historia,
mas tudo bem, pode continuar contando. A menina novamente trocou de posição,
fizerá isso no mínimo umas 10 vez desde que deu a ultima pausa.
- Tudo bem. Alex partiu no outro dia com
seu tio e irmão para a cidade grande, iria ser submetida a aprender várias
coisas, seu tio era uma pessoa da nobreza, reconhecido no reino, apesar do seu
rei matar seu irmão, pouco importou-se com o assassino. Jully sentira falta
constante daqueles olhos, que foi visto pela ultima vez, tão tristes, queria
saber como ela estava, mas não havia como. E foi isso que aconteceu! A velhinha
fez sinal de levantar
- Ha não, não, não vó, isso não pode ser
a incrível historia que tinha para me contar, tem que ter mais, além do mais
nem entendi o pertencer da Lispector ai... A jovem fez bico, a mais velha
adorava aquela carinha, sabia que encantava a neta com suas historias, e como
ela a obedecia e passavam grande tempo juntas apenas conversando... A mais
velha riu.
- Não tem como te enganar mesmo né? Tudo
bem, vou continuar. A mais velha arrumou-se, suas costas estavam indicando que
sua idade estava a degradando pouco a pouco. – 12 anos se passaram agora
aquelas poucas casas havia virado um pequeno vilarejo e estava sobre o comando
do rei, havia guardas por todos os lados, os camponeses pagavam impostos a
coroa, e o número de violência de todos os modos que você possa imaginar havia
crescido. Em uma tarde de festa, Alexander regressa com sua irmã Alex, ambos
montados em cavalos fortes e bem cuidados, despertou olhares de todos, eles
adentraram no meio da multidão que aos poucos foram formando um circulo em
volta deles. – Que ventos os trazem aqui estrangeiros? Pergunta um gorducho
ruivo, forte por sinal – estrangeiros? Estou a me perguntar, ondes avistares
estrangeiros? Só vejo filhos de uma terra retornando a ela. Disse-lhe
Alexander. Alex que reconheceu o amigo Thomas, saiu detrás de Alexander –
Proponho um desafio, que tal um pássaro em um vôo e apenas uma pedra? Disse
Alex, atraindo olhares curiosos – Aceito! Disse-lhe Thomas – O que pensas que
estas a fazer sua fedelha? Pergunta Alexander raivoso pela
interrupção da irmã que a mesma não lhe dar ouvidos. A competição começou,
nenhum pássaro foi obtido pelo gordinho diferente de Alex que matou o maior do
rebanho que fora tangido dos matos. – Que fizeres da vida homem? Perderá tempos
alimentando sua fome? Tão grande e não consegues matar um pássaro, de que
adiantas tamanha forma física? Alex falava divertidamente ao
gordinho que a encarava – Alex, o que estás fazendo? Perguntou o irmão
sussurrando ao ouvido da irmã – Perdoe-me pela conduta de minha irmã, fora má
disciplinada, ou é completamente pirada. Quis se desculpar o garoto ao outro,
mas Thomas caiu em grande riso seguido por Alex, e selando aquele abraço – Quanto
tempo se passou meu adorável amigo. Alex falou – Eu que diga Alex, tempo
suficiente para aprender a pescar. Ambos riram, para a estranheza do
povo que não sabia distinguir o que eles eram afinal – Quem lembra dos Kings?
Perguntou Thomas, várias mãos foram ao céu – Pois bem, vejam esses dois jovens,
são os frutos vivos dos verdadeiros Kings que retornaram as suas origens...
Ouvia-se gritos, os Kings se tornaram lendas, os irmãos órfãos era motivo de
piedade perante todos – Há que Deus os protejas, que lhes derem toda graça.
Ouvia se muitos comentários. O ritmo que as gaitas soavam e as pessoas rodavam
cantarolando, foi neutralizado com aquele banho de olhos verdes. Alex se pegou
olhando para uma bela jovem que a observava tinha um sorriso no rosto, era
semelhante a um anjo, seu sorriso resplandecia aquela paz que há muito não
sentirá, sua pele branca e suas curvas bem acentuadas era visíveis e isso
chamou atenção de Alex. O jeito que Alex Kings se vestia continuou os mesmo
para a época, ela não queria saber o que os costumes ditavam, queria se sentir
bem, então botas, calças e camisetas e casacos de mangas longas era o
fundamental para ela, o que fazia a distinção dela e de um homem era seus
cabelos e seios que eram notórios femininos. – vós me dar a honra da dança? Ela
perguntou aquela menina que um dia gravou-se em seus pensamentos. – Não é do
nosso ver, duas meninas dançando senhorita... – Sério? Mas todos dançam juntos,
poderia apenas ficar ao meu lado na roda? Alex falou com um sorriso vitorioso,
a jovem Jully não resistiu aos encantos daqueles lindos olhos com um acrescento
do sorriso. – Está bem senhorita. Então Jully deu a mão a Alex, e caminharam
até a roda de dança, o dia estava lindo a festa dava-se continuidade, logo as
pessoas pararam de observar Alex devido seus vestimentos e começaram a se
comunicar com ela, afinal ela era mais agradável do que seu irmão. – Então
Senhorita Alex, retornou para ficar? Vós vai dar continuidade as terras dos
vossos pais? Perguntava o pai de Thomas. – Tenho em mente este pensamento
senhor, tudo dependente do meu irmão, o que ele pretendes fazer por
diante... – Compreendo senhorita, qualquer coisa que precisares, sabes onde me
encontrares – Obrigado, o senhor é muito gentil. Ela sorriu em agradecimento ao
mais velho, talvez aquele sorriso cativasse as pessoas. Seguiram viagem até as
terras dos seus falecidos pais, a pequena casa encontrava-se em grande caos,
não existira mais telhado algum, apenas aquelas paredes que permaneceram no
decorrer dos anos, devido serem de pedras, suportaram muitas coisas – bom meu
irmão, aqui estamos o que pretendes fazer adiante? Perguntava Alex desmontando-se
do seu fiel amigo Argos, um cavalo no qual adotara quando partiu com seu tio –
Pretendo me casar com a senhorita Jully... O irmão dela disse sem meias
palavras, aquilo foi como uma espada cravada no coração de Alex, imaginou
quaisquer coisa que o irmão pudesse fazer naquelas terras menos pedir a mão
daquela que viveu em seus pensamentos até os dias atuais, e depois disso,
estava novamente olhando aqueles olhos verdes, e sentia que poderia conseguir
algo, mas isso, lhe tirou todas as chances possíveis, amava o irmão, jamais o
decepcionaria de tal modo, mesmo sendo estranha ele foi o único que sempre
apoio, mesmo sendo arisco, mas a amava daquele jeito. Então ela não podia fazer
mais nada a não ser aceitar – Quando pretendes tomar sua mão em casamento? –
logo após a conversa com vossos pais, e acertar o acordo! Alex ficou confusa,
que acordo seria aquele – De que acordo falas? – Não te metes em assuntos de
gente grande, por favor menina. O irmão foi para a copa da arvore que ficava
próximo a casa, dormiriam ali, no dia seguinte é a que arrumaria a casa.
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