As vezes me pego pensando em infinitas possibilidades de ter tornado aquela conversa diferente, o meu medo já me consumia e eu agia irracionalmente o que é da natureza humana. Mas pensando como deveria agir em várias dessas vezes, eu cheguei a mais uma conclusão - Eu amava aquela menina que conheci! Não esse ser multado em aberração que, que respira, tem órgãos, tem uma racionalidade e é bestificada, abobada a maior parte do tempo, moldada pelos parâmetros da sociedade, presa a dogmas religiosos, e além do mais, presa no conceito de família tradicional.
Não, eu não a amo assim, eu a amo da forma mais pura que ela já existiu, eu amo a amo, cuja estava fora de quaisquer padrões, ou pensamentos alheios, eu amo aquela que a felicidade importava, eu amo, aquela que era racional com si mesma. Eu amo a quela pequena pessoa que era gigante por dentro, que pensava sempre no lado positivo da vida, que acima de tudo nunca se deixava abater pelo que a sociedade ditava, eu amo a aquela, que era doce, serena, que era adulta mesmo sendo criança, eu amava livre de qualquer barreira, e todas as barreiras posta sobre nós, ela me ajudou a quebrar, e o tempo e distância, ela me ajudou a superá-los.
Aquela menina que eu amo, ela não agrada a família em pró de sua infelicidade, ela senta e debate - Eu sou assim, vocês vão me aceitar ou pelo menos me respeitar! Eu amo aquela que diante do maior holocausto do mundo pegaria na minha mão e ditava - Segue, vai, somos obrigadas a sobreviver, e é isso que iremos fazer! Eu amo aquela que me amava também, aquela voz dengosa ao celular na hora de dormir, que pedia mimo para melhorar a noite, ou só pra sentir meu sorriso bobo ao telefone, que roubava os celulares dos pais para dizer pelo menos: Boa noite moreco, eu te amo, não podemos nos falar muito, mãe pegou meu celular, amanhã a gente conversa, te amo muito! Eu amo essa menina.
Talvez o tempo tenha a matado, a sociedade tenha moldado nessa coisa patética que vejo todos os intervalos na escola, essa coisa repulsiva, moldada a escamas e armaduras, guardando a minha amada na maior prisão, que é seu interior. Não sei se um dia irei vê-lá novamente, ou se o que eu já vi se foi e não existe mais, isso tudo só com o passar do tempo que poderá ser respondido, por enquanto eu continuo a detestando e amando.
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